quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

um departamento acolhedor

É o Dpt de Línguas da ESAG: professoras, todas - de Português, Teatro, Francês, Inglês. Celebrámos no passado dia 17 um aniversário recente, a nossa amizade e a sobrevivência a estes tempos que têm tratado os profissionais da Educação com pouca meiguice, para usar um quase eufemismo ..

O restaurante era simpático, acolhedor. A comida, deliciosa. A companhia, do melhor. E houve festa e cantámos. E veio outra professora de outro departamento: adoptámo-la, fizemos dela membro efectivo honoris causa  do Dpt de Línguas. Viemos a saber que mais gostariam de ter estado ali connosco. E penso, o melhor do mundo somos nós, as pessoas que o são com o coração, e é a amizade que valorizamos e preservamos.
Pela minha parte, OBRIGADA, colegas, amigas.

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mais fotos - brevemente - no blogue do Dpt!:-)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

José Saramago, o cidadão - empenhado, interventivo


«Tudo se discute neste mundo, menos a democracia! »
«A democracia está aí, como se fosse uma santa de altar de quem já não se esperam milagres..»

« .. e não se repara que a democracia em que vivemos é uma democracia sequestrada, condicionada, amputada! Porque o poder do cidadão, o poder de cada um de nós, limita-se, na esfera política, a tirar um governo de que não se gosta e a pôr outro de que talvez se venha a gostar!»


ainda e sempre actual, José Saramago:


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José Saramago, o homem religioso

sobre o romance "Caim":

Saramago, o homem político

homenagem do PCP, de que foi militante, aquando da entrega do prémio Nobel da Literatura, em 10/12/1998


domingo, 28 de novembro de 2010

José Saramago, o homem

sensível, e doce - e como isso transparece tanto nos seus romances, no tratamento da figura feminina, nomeadamente (e talvez sobretudo, se excluirmos Blimunda, de O Memorial do Convento) - neste seu esmagador "Ensaio Sobre a Cegueira".

no vídeo, Saramago com o realizador Fernando Meirelles, depois de assistirem ao filme:

A maior flor do mundo

Entre 16/11 e 10/12 decorrem na ESAG actividades de homenagem a José Saramago (16.11.1922 - 18.06.2012) .


Foi em 10 de Dezembro de 1988 que Saramago recebeu o prémio literário mais ambicionado de todos - o Nobel da Literatura, pelo conjunto da sua obra.


O esag-margem sul associa-se a essa celebração, começando por publicar aqui o seu único conto infantil, mais tarde transformado numa curta-metragem.



em galego,  
A Flor Máis Grande do Mundo

oxigénio em Reia

blue, de Wassily Kandinsky

publicado em 26/11/2010 no jornal Público

Há oxigénio na atmosfera de Reia, uma das luas de Saturno, detectou a sonda Cassini da NASA, que está a estudar o sistema de Saturno. É a primeira vez que este gás, chave da vida na Terra, é detectado directamente na atmosfera de outro planeta.

A atmosfera - ou exosfera, como se chama por ser noutro planeta que não a Terra -, contém também dióxido de carbono. É muito ténue: à superfície o oxigénio é cinco biliões (milhões de milhões) de vezes menos denso do que no nosso planeta, diz um comunicado da NASA.

Mas desengane-se quem está já a sonhar com extraterrestres, pelo menos com plantas extraterrestres, que façam fotossíntese, respirando dióxido de carbono e libertando oxigénio. Estes gases devem ser libertados devido à acção de partículas de altas energias da magnetosfera de Saturno que bombardeiam a superfície gelada desta lua, onde há gelo de água, adianta o artigo publicado esta semana na revista “Science”, onde é descrita a descoberta.

Se há oxigénio, faltará outro componente essencial: água no estado líquido  [ler mais]

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

música e neurónios

World Science Festival 2009:
Bobby McFerrin Demonstrates the Power of the Pentatonic Scale

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

porque a alternativa existe ..

Fundação Gates dá bolsas a cientistas portugueses

Fundação Gates dá bolsas a portugueses para desenvolverem armas contra a malária

Uma vacina e um estimulante imunitário que podem evitar a morte das crianças. Dois projectos vindos de laboratórios portugueses conseguiram cumprir os rigorosos critérios da Fundação Bill & Melinda Gates. E ganharam bolsas. Em ano e meio os primeiros resultados estarão aí. Se resultar, a fundação pode injectar fundos a sério, no valor de um milhão de dólares. [ler mais aqui]

Outubro em imagens

exposições realizadas na ESAG:

Halloween, pelo 9.º G - CEF de Apoio à Família e à Comunidade:







do projecto Escola com + Sumo:








exposição comemorativa dos 100 anos da República:



sábado, 30 de outubro de 2010

aprender com Carl Jung

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An understanding heart is everything in a teacher, and cannot be esteemed highly enough. One looks back with appreciation to the brilliant teachers, but with gratitude to those who touched our human feeling. The curriculum is so much necessary raw material, but warmth is the vital element for the growing plant and for the soul of the child.
(Carl Jung) 


tradução (muito livre):

Uma coração 'grande' é tudo num professor, e uma dádiva inestimável. Recordamos com apreço os professores brilhantes, mas com gratidão aqueles que tocaram fundo os nossos corações. As matérias que se estudam são a inegavelmente necessária matéria prima, mas o calor (humano)  é que é o elemento vital para a planta em crescimento e a alma da criança.

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Carl Gustav Jung (1875 — 1961) foi um psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica, também conhecida como psicologia junguiana. (ver artigo aqui )
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mariana Rey Monteiro, "a voz do Teatro Nacional"

notícia do jornal Público, em 21-10-2010:

O grande público acolheu-a através da televisão na década de 1980, mas o palco recebeu-a logo aos 24 anos no D. Maria II. Mariana Rey Monteiro, a actriz filha de profissionais de teatro que não a queriam nos palcos, morreu no dia 20 de Outubro, aos 87 anos.
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Filha de duas figuras maiores do teatro – Amélia Rey Colaço e o actor e encenador Robles Monteiro – Mariana Rey Monteiro sonhava desde criança trabalhar no teatro. Os pais tentaram por vários meios afastá-la desse caminho, não a levando aos espectáculos no D. Maria II, teatro que a Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro alugara ao Estado em 1929. Sem sucesso. (ler mais)

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no Ípsilon de hoje:

(...)
Mas, afinal, por que se destacava Mariana Rey Monteiro? Urbano Tavares Rodrigues diz que, para além de uma grande actriz, "Mariana era uma criatura maravilhosa, delicada, gentilíssima", sintetizando os elogios que se repetem no meio teatral, onde a sua serenidade, inteligência e humanidade nunca passaram despercebidas. Já sobre a sua dimensão artística, Fernando Midões, um histórico da crítica de teatro em Portugal (Diário de Notícias e Diário Popular), que acompanhou praticamente toda a sua carreira, diz simplesmente que Mariana Rey Monteiro "juntava intuição, inteligência e perfeição na arte de representar - não se ficava pelo texto, aprofundava o subtexto das peças".

É esta inteligência, aliada a uma grande sensibilidade, que o dramaturgo Luís Francisco Rebello, também seu amigo pessoal, faz questão de realçar na carreira desta "herdeira de um nome e tradição ilustres" que, pelo seu trabalho, se transformou numa "referência importante do teatro português que antecedeu a revolução de 1974".

Da geração que lhe sucedeu, e que mudou os códigos e a tradição do teatro em Portugal, Jorge Silva Melo começa por recordar a voz da actriz. "Ela tinha aquela voz única, quebrada, timbrada e com uns graves muito bonitos. Quando a ouvíamos, era a voz do Teatro Nacional",  (ler mais)
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ranking das escolas secundárias 2010

Valham os rankings o que valerem, e apesar de os resultados divergirem conforme as fontes, aqui fica a informação recolhida e a posição da ESAG relativamente às classificações nos exames nacionais:

fonte: DN, (ver aqui )

Concelho de Almada : ESAG na 3ª posição em 2010 - (a das escolas públicas)
  1. Externato Frei Luís de Sousa (privada) - média: 11.78
  2. Colégio Campo de Flores (privada) - média: 11.56
  3. Escola Secundária António Gedeão (pública) - média: 11.12
  4. Escola Secundária Anselmo de Andrade (pública) - média: 10.89
  5. Escola Secundária Fernão Mendes Pinto (pública) - média: 10.71
  6. Escola Secundária Daniel Sampaio (pública) - média: 10.59
  7. Escola Secundária Prof. Ruy Luís Gomes (pública) - média: 10.28
  8. Escola Secundária Emídio Navarro (pública) - média: 10.26
  9. Escola Secundária Cacilhas Tejo (pública) - média: 9.98
  10. Escola Secundária de Romeu Correia - Feijó (pública) - média: 9.44
  11. Escola Secundária do Monte da Caparica (pública) - média: 9.15
  12. Escola Secundária Francisco Simões (pública) - média: 8.80

Segundo a mesma fonte, a Escola Secundária António Gedeão ficou na posição 133 a nível nacional - 3 lugares acima relativamente a 2009 - ,  enquanto a seguinte "melhor" escola do Concelho, a Secundária Anselmo de Andrade, baixou cerca de 40 lugares em relação ao ano anterior, aparecendo, no ranking de 2010, na posição 161 .

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Consultando outra fonte ..
Ranking das escolas do Distrito de Setúbal de acordo com a classificação do jornal «Público» é o seguinte:


1º Escola Secundária Bocage – SETÙBAL - 11.75
2º Escola Secundária Manuel da Fonseca – SANTIAGO DO CACÉM – 11.25
3º Escola Secundária Anselmo de Andrade – ALMADA – 11.16
4º Escola Secundária António Gedeão – ALMADA – 11.13


entender os métodos:
  • Não há o risco de se produzirem valores errados?
  • Apesar de se basear nas provas das duas fases, o DN só considera exames feitos por alunos internos (que frequentaram a escola onde o exame foi feito este ano lectivo). Também não são consideradas melhorias de nota entre as duas fases. Ou seja: quando o aluno fez o mesmo exame nas duas fases, só contam os resultados que alcançou na primeira. Dito isto, todas as listagens são passíveis de erro e discussão. O que o DN pode assegurar é que aplicou critérios iguais a todas as escolas da lista, com base nos dados facultados pelo Ministério da Educação.  (fonte)

Arthur Rimbaud

ARTHUR RIMBAUD  (1854 – 1891)  nasceu  num dia 20 de Outubro, fez ontem 156 anos.

Sobre o poeta, integralmente retirado daqui:

«O que Mallarmé não parece ter adivinhado é que o "Viajante notável" voltaria, que ia ficar, que não pararia de crescer, que a sua influência se estenderia a todas as gerações e que aquele garoto seria no século novo não o mestre, e sim, melhor ainda, o mensageiro, o profeta de toda uma juventude febril, entusiasta, rebelde.»
~ Georges Duhamel ~

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«Esta página é um ensaio biográfico de uma das pessoas mais extraordinárias que já apareceram sobre a terra. Arthur Rimbaud foi um milagre, um fenómeno de ordem sobrenatural, pela sua precocidade assustadora e pelo mistério do seu destino, que permanece impenetrável como seu génio mesmo.

Ficamos desconcertados ao saber da existência de um adolescente que compôs, entre os quinze e os dezanove anos, poemas fulgurantes e visionários, de uma beleza estranha; prosas inauditas; e que ele tenha atingido os cimos do pensamento então inviolados.

Ficamos confusos face à ideia de que este personagem tenha inexoravelmente renunciado à literatura aos dezanove anos e que, na segunda fase de sua breve existência, tenha realizado prodígios dignos de um herói em longas e fantásticas caminhadas, percorrendo a Europa e os oceanos, dando-se a mil e uma ocupações para ganhar a vida, aprendendo uma porção de línguas, para malograr, finalmente, na África, onde cumprirá o resto de seu ciclo infernal em atrozes condições e morrer como um mártir aos trinta e sete anos.

Assim foi a vida trágica de Arthur Rimbaud, um dos únicos na história dos homens. »



Rimbaud par lui même:
«Acredito que estou no inferno, portanto estou nele.»
«Eu escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens.»

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Ophélia

                              I
Sur l'onde
calme et noire où dorment les étoiles
La blanche Ophélia flotte comme un grand lys,
Flotte très lentement, couchée en ses longs voiles ...
On entend dans les bois lointains des hallalis.
Voici plus de mille ans que la triste Ophélie
Passe, fantôme blanc, sur le long fleuve noir.
Voici plus de mille ans que sa douce folie
Murmure sa romance à la brise du soir.
Le vent baise ses seins et déploie en corolle
Ses grands voiles bercés mollement par les eaux;
Les saules frissonnants pleurent sur son épaule,
Sur son grand front rêveur s'inclinent les roseaux.
Les nénuphars froissés soupirent autour d'elle;
Elle éveille parfois, dans un aune qui dort,
Quelque nid d'où s'échappe un petit frisson d'aile:
Un chant mystérieux tombe des astres d'or.

                         II
Ô pâle Ophélia, belle comme la neige!
Oui tu mourus, enfant, par un fleuve emporté!
- C'est que les vents tombant des grands monts de Norvège
T'avaient parlé tout bas de l'âpre liberté;
C'est qu'un souffle inconnu, fouettant ta chevelure,
A ton esprit rêveur portait d'étranges bruits;
Que ton cœur entendait la voix de la Nature
Dans les plaines de l'arbre et les soupirs des nuits;
C'est que la voix des mers, comme un immense râle,
Brisait ton sein d'enfant trop humain et trop doux;
C'est qu'un matin d'avril, un beau cavalier pâle,
Un pauvre fou, s'assit, muet, à tes genoux !
Ciel, Amour, Liberté : quel rêve, ô pauvre Folle!
Tu te fondais à lui comme une neige au feu:
Tes grandes visions étranglaient ta parole
- Et l'Infini terrible effara ton œil bleu.

                        III
- Et le Poète dit qu'aux rayons des étoiles
Tu viens chercher, la nuit, les fleurs que tu cueillis;
Et qu'il a vu sur l'eau, couchée en ses longs voiles,
La blanche Ophélia flotter, comme un grand lys !

A. Rimbaud, Mai 1870

retirado  daqui (ver tradução em português)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Trinity College and The Book of Kells

Remexendo em papeis, fui dar com estas imagens: postais da famosíssima biblioteca da mais conceituada universidade irlandesa, Trinity College, em Dublin, que visitámos com os alunos dos 11.º e 12.º nas férias da Páscoa do ano lectivo anterior.

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a biblioteca

Entre as preciosidades que encerra esta biblioteca está o "ex-libris", o Book of Kells . Trata-se de um manuscrito criado pelos monges do Mosteiro de Kells - antiquíssimo (circa 8oo AD-depois de Cristo) e muito raro, por compilar os 4 Evangelhos conhecidos à data. O livro reúne textos do Novo Testamento e iluminuras belíssimas, resultado de uma imensa paciência e apurados engenho e técnica, não só da preparação do 'papel' (pele de cabra curtida artesanalmente de modo especial), como da mistura das 'tintas', fabricadas a partir de produtos naturais.
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pormenores das iluminuras
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visitas de estudo - normas aplicáveis aos professores acompanhantes

Lei n.o 13/2006 de 17 de Abril
Transporte colectivo de crianças

A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.o da Constituição, o seguinte:

CAPÍTULO I
Disposições gerais
Artigo 1.o
Objecto
A presente lei define o regime jurídico do transporte colectivo de crianças e jovens até aos 16 anos, adiante designado por transporte de crianças, de e para os estabelecimentos de educação e ensino, creches, jardins-de-infância e outras instalações ou espaços em que decorram actividades educativas ou formativas, designadamente os transportes para locais destinados à prática de actividades desportivas ou culturais, visitas de estudo e outras deslocações organizadas para ocupação de tempos livres.

Artigo 2.o
Âmbito
1—A presente lei aplica-se ao transporte de crianças realizado em automóvel ligeiro ou pesado de passageiros, público ou particular, efectuado como actividade principal ou acessória, salvo disposição em contrário.
2—Para os efeitos do disposto no número anterior, entende-se por actividade acessória aquela que se efectua como complemento da actividade principal da desenvolvida pela entidade transportadora.
3—A presente lei não se aplica aos transportes em táxi e aos transportes públicos regulares de passageiros,
salvo se estes forem especificamente contratualizados para o transporte de crianças.

(...)
Artigo 8º
Dos vigilantes

1— No transporte de crianças é assegurada, para além do motorista, a presença de um acompanhante adulto designado por vigilante, a quem compete zelar pela segurança das crianças.

2—São assegurados, pelo menos, dois vigilantes quando:
a) O veículo automóvel transportar mais de 30 crianças ou jovens;
b) O veículo automóvel possuir dois pisos.

3—A presença do vigilante só é dispensada se o transporte for realizado em automóvel ligeiro de passageiros.

4 – O vigilante ocupa um lugar que lhe permita aceder facilmente às crianças transportadas, cabendo-lhe, designadamente:
a) Garantir, relativamente a cada criança, o cumprimento das condições de segurança previstas nos artigos 10º e 11º.
b) Acompanhar as crianças no atravessamento da via, usando colete retrorrefletor e raqueta de sinalização, devidamente homologados.
5 – Cabe à entidade que organiza o transporte assegurar a presença do vigilante e a comprovação da sua idoneidade.

Artigo 10º
Lotação
2 – Nos automóveis de mais de nove lugares, as crianças menores de 12 anos não podem sentar-se nos lugares contíguos ao do motorista e nos lugares da primeira fila.
Artigo 11.o
Cintos de segurança e sistemas de retenção
1—Todos os lugares dos automóveis utilizados no transporte de crianças devem estar equipados com cintos de segurança, devidamente homologados, cuja utilização é obrigatória, nos termos da legislação específica em vigor.

Artigo 19º
Contra-ordenações
3 – Para efeitos do disposto na presente lei. Constitui contra-ordenação:
f) A ausência ou insuficiência de vigilantes, assim como o não uso de colete retro reflector, nos termos do artigo 8º.
g) A falta de documento comprovativo da satisfação do requisito de idoneidade do vigilante, a que se refere o nº 5 do artigo 8º.
5 – São consideradas contra-ordenações graves as previstas nas alíneas f), g), i), j), l), m), p) e q) do nº 3 do presente artigo.

Artigo 20º
Coimas
3 – As contra-ordenações graves são punidas com coima entre € 500 e € 1500.

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domingo, 10 de outubro de 2010

Nobel da Paz para o dissidente chinês Liu Xiaobo

o governo da China (que considera esta atribuição do prémio a Liu Xiaobo uma 'obscenidade'..) opta pelo boicote absoluto a todas as notícias sobre o Nobel..

«É provável que Liu Xiaobo não saiba sequer que ganhou o prémio Nobel da Paz. Talvez partilhasse com a mulher a ideia de que nunca o receberia porque dificilmente Oslo iria desafiar a grande potência económica em que a China se tornou.



Mas foi com esse mesmo argumento que os membros do comité decidiram distinguir "o símbolo" da luta pelos direitos humanos no país: o regime tem de acompanhar os avanços económicos com o respeito pelas liberdades fundamentais.

O crescimento das últimas décadas, "praticamente ímpar na história", tornou a China na segunda economia mundial e tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza, declarou o comité. "O novo estatuto deve conduzir a maior responsabilidade". Durante mais de duas décadas, Liu Xiaobo tem sido um grande "porta-voz dos direitos fundamentais". » - ler mais

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fotos retiradas do Yahoo

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Mário Vargas Llosa, Nobel da Literatura 2010

«Um Nobel da Literatura tão esperado que foi uma surpresa!»

o título é do Público, o artigo de Luís Miguel Queirós (aqui)

alguns excertos:

Quando Vargas Llosa parecia já destinado a tornar-se o sucessor vitalício de Jorge Luis Borges, que todos os anos era notícia por não ganhar o Nobel, a Academia decidiu finalmente consagrar o autor de Conversa na Catedral (1966). A decisão foi anunciada ontem, (7/10) ao princípio da tarde, pelo presidente da Academia Sueca, Peter Englund, que destacou, na obra de Vargas Llosa, a "cartografia das estruturas de poder" e as "imagens mordazes de resistência individual, revolta e derrota".

Em entrevista a uma rádio colombiana logo após ter sabido que era o 103.º Nobel da Literatura - e que iria receber 10 milhões de coroas suecas (mais de um milhão de euros) -, Vargas Llosa confessou a sua surpresa: "Não sabia que estava, sequer, entre os candidatos". Garantiu mesmo que começou por julgar que se tratava de uma brincadeira. Na conferência de imprensa que deu ao fim da tarde acrescentou que este prémio "reconhece não apenas o escritor, mas a maravilhosa língua espanhola e a literatura latino-americana".

Mas é de prever que nem todos os latino-americanos se regozijem com esta escolha, já que muitos não lhe terão ainda perdoado a acentuada viragem política à direita, que culminou com a sua candidatura à Presidência do Peru (...)
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 "Vargas Llosa e García Márquez: uma inimizade para toda a vida" - aqui
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Em 1967 (...) Vargas Llosa afirmou, ao receber na Venezuela o prémio internacional Rómulo Gallegos, que "a literatura é fogo" e que "a razão de ser do escritor é o protesto, a contradição e a crítica". E lançou um aviso: "Ou a sociedade (...) elimina de uma vez por todas esse perturbador social que é o escritor, ou acolhe a literatura e, nesse caso, não tem outro remédio senão aceitar uma perpétua torrente de agressões, ironias e sátiras".


Nascido na cidade peruana de Arequipa a 28 de Março de 1936, Vargas Llosa foi criado pelos seus avós maternos, primeiro na Bolívia, onde o avô era cônsul, e depois em Piura, no Peru, que evoca nas novelas recolhidas em Os Chefes (1959) e no romance A Casa Verde (1966). Já adolescente, voltou a viver com os pais e estudou num colégio militar, experiência que descreve em A Cidade e os Cães (1963).

Das várias obras publicadas por Vargas Llosa nas últimas décadas, algumas das mais relevantes são A Guerra do Fim do Mundo (1981), sobre a Guerra dos Canudos, A Festa do Bode (2000) ou O Paraíso na Outra Esquina (2003), cuja protagonista é a feminista Flora Tristán, avó do pintor Paul Gauguin.

links no nome para vídeos do Youtube: Vargas Llosa fala sobre a sua obra e a literatura

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O Nobel em castelhano (retirado  daqui )
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O primeiro autor americano de língua espanhola a receber o Nobel da Literatura foi a poetisa chilena Gabriela Mistral (1889-1957), em 1945. Seguiu-se um intervalo de mais de duas décadas até à consagração, em 1967, do ficcionista guatemalteco Miguel Ángel Asturias (1899-1974). Apenas quatro anos depois, em 1971, era a vez do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973).


Gabriel García Marquez (link p/ Youtube: GM fala sb si e os livros) - o romancista de Cem Anos de Solidão -, recebeu o prémio em 1982, e, cumprindo a regra da alternância entre prosadores e poetas, seguiu-se, em 1990, o poeta e ensaísta mexicano Octavio Paz (1914-1998).

Decorreram depois vinte anos até que a irregularíssima órbita do Nobel voltasse a passar na América Latina, consagrando agora o peruano Mario Vargas Llosa.
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fotos de M.V. Llosa , P. Neruda , G. Marquez e O. Paz retiradas  daquidaqui  ,  daqui  e daqui , respectivamente



Ainda assim, e apesar da aparente resistência da Academia Sueca aos escritores argentinos - Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e Julio Cortázar morreram sem receber o prémio, e o romancista Ernesto Sábato, que fará cem anos em 2011, dificilmente o receberá - , a literatura de língua espanhola até não tem grandes razões de queixa. (...)

 fotos de J.L. Borges e J. Cortázar retiradas daqui  e  daqui, respectivamente
os links nos nomes :    Borges lê "Arte Poética";   Cortázar fala do seu mais famoso romance, 'Rayuela'

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sobre o testamento de Alfred Nobel: aqui  e aqui
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sábado, 2 de outubro de 2010

Dia Europeu das Línguas



 
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Aqui na ESAG comemorámo-lo a 24, embora a data oficial escolhida pelo Conselho da Europa seja o 26 de Setembro (este ano, um domingo).
Estiveram envolvidos na celebração os alunos do 7.º ao 11.º anos e as professoras de Inglês e Francês do Departamento de Línguas Estrangeiras.

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Celebra-se assim, na União Europeia, a diversidade enriquecedora das cerca de 200 diferentes línguas nativas do Velho Continente.
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Por cá os alunos pesquisaram na net frases em línguas estrangeiras, elaboraram cartazes e uma grinalda de letras, pintaram T-shirts, interpelaram em 'estrangeiro' professores e funcionários. 

Realizou-se uma 'festa das línguas' com bolos de chocolate à mistura (que, diga-se, desapareceram num ápice!). O passadiço que une os blocos E e H esteve enfeitado e não faltou a música nem os sempre imprescindíveis dançarinos.



Cartazes oficiais e uma selecção dos fotos que documentam este acontecimento











 








 


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

novo romance de José Luís Peixoto

nostálgicas paisagens alentejanas (as Galveias) - amparadas pela música dos Moonspell - no vídeo promocional do novo romance de José Luís Peixoto, "Livro" , que estará nas livrarias a 24 de Setembro.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

discursos na abertura do ano lectivo

1. do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama:

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2. da ministra da educação de Portugal, Isabel Alçada:

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Égito Gonçalves, português, poeta

Palavras


Com palavras me ergo em cada dia!
Com palavras lavo, nas manhãs, o rosto
e saio para a rua.
Com palavras - inaudíveis - grito
para rasgar os risos que nos cercam.
Ah!, de palavras estamos todos cheios.
Possuímos arquivos, sabemo-las de cor
em quatro ou cinco línguas.
Tomamo-las à noite em comprimidos
para dormir o cansaço.
As palavras embrulham-se na língua.
As mais puras transformam-se, violáceas,
roxas de silêncio. De que servem
asfixiadas em saliva, prisioneiras?
Possuímos, das palavras, as mais belas;
as que seivam o amor, a liberdade...
Engulo-as perguntando-me se um dia
as poderei navegar; se alguma vez
dilatarei o pulmão que as encerra.
Atravessa-nos um rio de palavras:
Com elas eu me deito, me levanto,
e faltam-me palavras para contar...


Égito Gonçalves  (1922-2001)
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retirados daqui, informação e poema:


Égito Gonçalves nasceu em Matosinhos em 1922. Esteve ligado às revistas Távola Redonda, Árvore, Notícias do Bloqueio e Limiar, entre outras. Tradutor e poeta


Muda-se o tema, onde o mar começa.
A aventura é o mar ou essa forma
que se forma depois, que vai viver
na memória dos dias? De uma ilha lembro
onde o mar me levou e do conhecimento
várias portas me abriu. O oceano
começava antes, acabava depois, ali
só prosseguia, embalando-me em noites
de velame abatido, de fáceis ananases,
de alta mastreação tocada de saudade
lucilante como a esteira do luar.
Mais tarde soube que estava sem trabalho
pois não havia Índias nem de infantas
o prémio de um sorriso. Mas combates
havia para outros, torpedos e canhões
longe não andavam. Daquela guerra
eu só fingia ser. Ancorado veleiro
eu pensaria a ilha, verde como o slogan,
nela não enjoava como, sobre o mar,
me acontecia nos navios da Insulana.
Marinheiro, eu não era. O mundo antigo
vivia-se nos livros, reproduções offset
multiplicavam os atlas, alguns poetas
banhariam na Grécia os seus poemas. Eu,
estava ali, parado no tempo, onde
o mar começava e acabava, esperando
que na praça da Matriz o relógio do sono
badalasse o regresso. A minha casa
estava a oriente, ali acabaria
para mim o mar, e só quando da praia
o visse, a imaginação poderia segredar-me
que os meus pés começava e da viagem
seria excluído. Um rosto sem segredos
que as marés negras adoecem, e me acena
quando o avião desce e os motores destroçam
um mar de nuvens que se desfaz e recomeça.


in antologia Onde o Mar Acaba

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

É fácil malhar nos professores

um artigo de Santana Castilho:

A crise económica e financeira que nos assola não é um fenómeno da natureza. É consequência de decisões políticas. Umas, porque somos uma pequena economia aberta dependente daquilo que os outros fazem, escapam ao nosso controlo. Outras podem ser directamente actuadas por nós. Está neste caso o equilíbrio entre o que gastamos e o que produzimos. É pois natural que a discussão à volta de como cortar despesa seja uma discussão importante. Mas, para que seja construtiva, deve ser servida por informação isenta, completa e esclarecedora.

Li no Jornal de Negócios de 24 de Agosto: "A despesa do Estado não pára de crescer, apesar de o ano ser de consolidação orçamental. E cerca de um terço deste crescimento - que atingiu os 3,8% em Julho - vem da educação, em parte devido à melhoria das remunerações de professores, no seguimento do processo de avaliação."
Este naco de prosa e o que segue no desenvolvimento da notícia é assassino para os professores, no contexto dos sacrifícios que o povo suporta. Vejamos porquê. Comecemos por ir à fonte, um boletim mensal editado pela Direcção-Geral do Tesouro, intitulado Síntese da Execução Orçamental, referente a Agosto. Na página 9 está explicado que o aumento de 3,9 por cento das "despesas com pessoal" do Estado se deve ao aumento de duas rubricas: "remunerações certas e permanentes", que não cresceram 3,9 por cento mas apenas 1,6 por cento, e "segurança social", que cresceu 15,7 por cento. Assim, a "melhoria das remunerações dos professores, no seguimento do processo de avaliação", devia ser conotada com 1'6 por cento e não 3,9 por cento. Ganharia o rigor. Mas ainda ganharia mais rigor se a notícia esclarecesse, como devia e consta do documento que lhe serviu de base, que o aumento de 1,6 por cento se ficou a dever, para além da aludida parte dos professores, "à implementação dos novos sistemas remuneratórios das forças de segurança e dos militares" e à "contratação extraordinária de pessoal a termo e em regime de tarefa ou avença pelo Instituto Nacional de Estatística" (sic, publicação citada, p.9). Isto é: os 3,9 são, afinal, 1,6 e os 1,6 são repartidos por militares, forças de segurança, INE e professores. Mas a notícia só fala de professores. Feita a desagregação da despesa, como importaria o rigor, a montanha pariria um ratito.

E se fôssemos mais além e comparássemos, não o actual momento com o período homólogo de 2009, mas o que ganhavam os professores antes de Sócrates, em termos reais, com aquilo que hoje ganham, então só poderíamos concluir que, exceptuando a chaga dos desempregados, são eles a classe mais penalizada. Viram salários congelados, carreiras congeladas e degradadas e tempos de trabalho aumentados. Regrediram em toda a linha. Estou disponível para discutir e provar o que afirmo a quem quiser, jornalista, articulista, economista, políticos e outros. E esclareço que não me movem corporativismos, já que é outro o meu subsector de ensino. Move-me a justiça. E move-me o interesse nacional, porque é esse interesse que cede cada vez que se beliscam injustamente os professores.

Mas o rigor ainda suscita outras considerações. Tenho à minha frente o Orçamento do Estado para 2010. É um grosso volume com 736 páginas. Abro-o na 312 e cito o que lá está: "... A despesa consolidada do Ministério da Educação (MEDU) atinge o montante de 7275,7 milhões de euros ... Face à estimativa da despesa do ano de 2009, o orçamento do MEDU representa um acréscimo de 0,8%, acréscimo que se verifica ... sobretudo nas dotações específicas para o Ensino Particular e Cooperativo e para a Educação Pré-Escolar (sublinhado meu)." Quer isto dizer que quem aprovou o Orçamento do Estado de 2010 sabia que a despesa iria crescer 623,8 milhões de euros. E teimo no rigor. No documento em análise, na página 38, diz-se que a dotação orçamental da Educação foi corrigida para menos 20,6 milhões de euros. Será cumprida a correcção? Não sei, não sabemos. Mas está lá.

Os défices não são necessariamente peçonhentos. Se forem movidos por boas causas, isto é, investimento produtivo, e se estiverem controlados, isto é, se o "passivo" que representam puder ser pago pelo "activo" que os contraiu, são instrumentos de desenvolvimento e progresso. O problema do país reside na não verificação destas premissas básicas e daí a urgência em cortar despesa. Mas não se pode cortar despesa clamando esquizofrenicamente corta, corta, corta. Não chega. É preciso dizer onde e mostrar que se conhecem os cenários de consequências, negativas e positivas. Este era um belo trabalho de investigação jornalística que o Jornal de Negócios poderia promover, em vez de malhar nos professores. Deixo-lhe exíguas pistas:
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  • Quanto se gastou, e com que resultados, nos programas de modernização tecnológica das escolas? Só os últimos portáteis a entregar a crianças que deles não necessitam importam em 50 milhões de euros. 
  • Quanto custou até agora cada metro quadrado reconstruído pela Parque Escolar? 
  • Quanto custam a avaliação do desempenho e a gestão das escolas, que destruíram a estabilidade dos professores? 
  • Quanto custa cada aluno dos mais que polémicos Cursos de Educação e Formação (CEF) e Cursos de Educação e Formação para adultos (EFA)
  • Quanto custaram o Plano de Recuperação da Matemática e todos os outros que se criam porque o que devia funcionar não funciona?

in Público, 1/9/2010